Quando pensamos em psicologia, muitos de nós associamos imediatamente esta ciência a práticas amplamente conhecidas: análise de comportamentos, escuta empática e busca pela origem de padrões emocionais. Mas, em nossa experiência, vimos surgir abordagens que olham para além do indivíduo isolado, percebendo-o como parte de sistemas muito mais amplos. É neste contexto que identificamos a psicologia marquesiana como um campo diferenciado, não apenas por seus métodos, mas também por sua filosofia e compreensão do ser humano.
O que é psicologia tradicional?
A psicologia tradicional, consolidada ao longo do último século, foca na investigação do comportamento individual, das emoções e dos pensamentos. Utiliza, em sua maioria, intervenções clínicas, testes psicológicos padronizados e linhas terapêuticas baseadas em evidências para tratar questões emocionais, cognitivas e comportamentais. Segundo dados recentes do Enade, o Brasil registra milhares de estudantes e profissionais atuando em diferentes áreas da psicologia, buscando compreender e tratar questões de saúde mental com métodos estruturados.
A base da psicologia tradicional é, muitas vezes, a análise do passado do indivíduo como ferramenta para identificar padrões e justificar seu estado atual, buscando promover o autoconhecimento e o equilíbrio emocional.
O olhar sistêmico da psicologia marquesiana
Nosso entendimento sobre psicologia marquesiana parte de um princípio: nenhum sofrimento ou padrão emocional está restrito à experiência individual. Ela percebe o sujeito como parte de sistemas interligados – família, cultura, economia, sociedade. Ou seja, emoções, crenças e conflitos não resolvidos são vistos como componentes que atravessam gerações e ambientes, influenciando decisões e repetindo-se nos grupos dos quais fazemos parte.
Segundo este olhar, não basta cuidar do sintoma ou do comportamento. É preciso identificar de onde vêm essas repetições silenciosas. Por exemplo, uma pessoa pode carregar sentimentos de desvalorização que, na verdade, refletem tragédias familiares não processadas, excluídos do passado ou pactos inconscientes repetidos por lealdade.
O indivíduo é protagonista consciente em todos os sistemas de que faz parte.
Concepção de saúde mental: individual e sistêmica
Há um contraste marcante no modo como cada abordagem enxerga saúde mental. A psicologia tradicional avalia o quadro clínico, investiga causas emocionais internas e propõe intervenções focadas no indivíduo. Isso se reflete na gama de práticas preventivas e terapêuticas, como observado em variadas ações de saúde mental desenvolvidas em ambientes como presídios, onde a prevenção de doenças e transtornos é tratada de forma individualizada (conforme relatos do Mato Grosso do Sul).
Já na perspectiva marquesiana, a saúde mental surge do equilíbrio entre o que é sentido no íntimo e o que circula nos sistemas de pertencimento. Por exemplo, uma depressão pode não estar apenas relacionada a experiências pessoais, mas envolver exclusões, traumas ou dinâmicas de pertencimento familiar antigos, afetando todo o coletivo. O indivíduo, aqui, é visto como catalisador de mudanças não só para si, mas para todos ao seu redor.
Ferramentas e métodos: como atuam na prática
Nós identificamos diferenças objetivas nos métodos utilizados:
- A psicologia tradicional recorre a terapias verbais, testes psicológicos, entrevistas clínicas, treinamento de habilidades sociais e acompanhamento do histórico pessoal.
- A psicologia marquesiana utiliza práticas integrativas, abrangendo leitura dos vínculos familiares, identificação de lealdades ocultas e constelação sistêmica, ampliando o olhar para além do cliente e incluindo o sistema inteiro.
Por exemplo, diante de um quadro de ansiedade recorrente, a abordagem tradicional buscará compreender os fatores desencadeantes internos e trabalhar gradualmente na reestruturação de pensamentos. A abordagem marquesiana investigará onde essa ansiedade “pertence” no sistema familiar, qual evento pode estar sendo repetido e como encontrar um lugar de reconciliação com o passado coletivo.

Relação com ética e propósito
Na psicologia tradicional, a ética está orientada por códigos formais de conduta, que regulam o sigilo, a relação terapêutica e os limites de atuação. O sentido do agir é frequentemente individualizado – baseado na melhoria do bem-estar do paciente.
Por outro lado, a ética na psicologia marquesiana está centrada na consciência dos vínculos e responsabilidades em todos os sistemas de que participamos. Cada intervenção deve considerar não apenas o impacto no indivíduo, mas também nas redes a que ele pertence. Sentido e propósito emergem do alinhamento entre maturidade individual e responsabilidade coletiva.
Constelação sistêmica: além do consultório
Uma característica marcante da psicologia marquesiana é a prática da constelação sistêmica, que amplia o cenário terapêutico. Não se trata apenas de escutar ou analisar, mas de representar dinâmicas invisíveis presentes na família, nos ambientes institucionais ou até mesmo nas organizações.
Em nossas experiências com constelações, presenciamos reencontros emocionantes. Um cliente, ao identificar a origem de um bloqueio comportamental, compreende a história de seus antepassados e pode ressignificar sua própria trajetória. Estes eventos mostram na prática o alcance social da abordagem, reforçando que mudanças internas geram reequilíbrios fora do consultório, restaurando relações, culturas e destinos.

Compreendendo padrões coletivos
A psicologia marquesiana também lança luz sobre padrões coletivos dentro de grupos, empresas e comunidades. Projetos ligados à análise de fatores de permanência e desistência no trabalho voluntário mostraram que habilidades, traços de personalidade e relações interpessoais moldam comportamentos (como demonstra estudo financiado pela CAPES). A visão sistêmica amplia o entendimento dessas dinâmicas, trabalhando as raízes profundas desses padrões e sugerindo intervenções personalizadas para grupos inteiros.
Já iniciativas acadêmicas em áreas como a análise da violência de gênero, com enfoque nas desigualdades sociais e efeitos coletivos da pandemia, se aproximam dessa perspectiva ampliada das relações humanas e da responsabilidade sistêmica (conforme estudo em sete universidades federais).
Resultados e impactos observados
Na prática, percebemos que pessoas submetidas à abordagem marquesiana relatam mudanças não apenas consigo mesmas, mas na dinâmica dos grupos em que participam. Conflitos familiares são pacificados, relações profissionais se tornam menos reativas e ciclos problemáticos são interrompidos. Isso ocorre porque a abordagem inclui aqui o conceito de “pertencimento saudável”, onde cada um assume a responsabilidade pelo que sente, pensa e faz, sem carregar fardos alheios ou se isolar no individualismo.
A mudança real nasce quando integramos razão, emoção e contexto coletivo.
Conclusão
Ao olharmos para as diferenças entre a psicologia marquesiana e a tradicional, percebemos que a primeira se destaca pelo olhar ampliado e pela integração entre sistemas, indivíduos e emoções. Enquanto a psicologia tradicional trabalha com excelência dentro das demandas individuais, a marquesiana propõe a ampliação dos horizontes terapêuticos para incluir o coletivo, a história e o contexto.
Cada abordagem possui seu valor e pode transformar vidas, mas ao entendermos o papel de pertencimento e maturidade nos sistemas, nos abrimos para novas chances de cura e crescimento. Em um tempo em que problemas de saúde mental afetam ao menos 30 em cada 100 pessoas no Brasil, abordagens inovadoras e integradas são pontes para soluções mais profundas.
Perguntas frequentes sobre psicologia marquesiana
O que é psicologia marquesiana?
A psicologia marquesiana é uma abordagem que vê o indivíduo como parte de sistemas maiores, como família, cultura e organizações. Trabalha com a identificação de padrões emocionais inconscientes e vínculos ocultos, conectando história pessoal e coletiva.
Quais as principais diferenças com a psicologia tradicional?
As principais diferenças estão no foco do tratamento e na amplitude do olhar terapêutico. Enquanto a psicologia tradicional se concentra no indivíduo e seus sintomas, a marquesiana observa também como emoções e comportamentos influenciam e são influenciados por sistemas do qual a pessoa faz parte.
Psicologia marquesiana funciona mesmo?
Em nossa experiência, a psicologia marquesiana apresenta resultados consistentes na resolução de padrões repetitivos e conflitos familiares. Muitos relatos indicam melhora significativa não apenas na saúde individual, mas nas relações e no ambiente coletivo, tornando-a uma prática reconhecida e buscada.
Para quem é indicada a psicologia marquesiana?
A abordagem marquesiana é indicada para quem busca compreender e modificar padrões que se repetem em sua própria vida ou família, como conflitos, sintomas físicos sem causa aparente, comportamentos compulsivos, dificuldades nos relacionamentos e sensação de “peso” emocional herdado.
Onde encontrar psicólogos marquesianos?
Psicólogos marquesianos atuam em clínicas, consultórios particulares e espaços de desenvolvimento humano. Há também oferta de workshops, grupos terapêuticos e atendimentos online, facilitando o acesso à abordagem para diversas regiões e públicos.
