Ao mergulharmos no universo da meditação marquesiana, percebemos rapidamente que termos corriqueiros como “foco” e “atenção” ganham novas camadas de profundidade. Embora pareçam sinônimos no dia a dia, ao praticarmos, notamos que representam portas diferentes para acessar consciência, presença e liberdade interior. Compartilharemos aqui o que mais aprendemos nessas vivências, e como cada conceito atua de forma única dentro da nossa experiência meditativa.
A base: por que distinguir foco de atenção?
Quando sentamos para meditar, uma das primeiras orientações que recebemos envolve usar “a atenção” ou “o foco”.
Palavras simples, sentidos múltiplos.
Na prática, começamos a notar que, enquanto atenção parece envolver um campo mais amplo, o foco tende a afunilar nossa percepção. Esse discernimento não é só acadêmico. Ele muda completamente nosso jeito de nos relacionar com pensamentos, emoções e até com o próprio silêncio.
O que é foco?
No contexto meditativo, descrevemos o foco como o direcionamento intencional da mente para um único ponto ou objeto. Pode ser a respiração, um som, uma imagem ou uma sensação. Focar é escolher, de maneira voluntária, aquilo que desejamos observar. E aqui entra uma característica especial:
O foco reduz a dispersão mental, trazendo a mente de volta sempre que ela se afasta do objeto escolhido.- Quando optamos por focar, sentimos um aumento de clareza.
- Pensamentos paralelos perdem força.
- A sensação é de estar “olhando com uma lupa”.
Porém, o excesso de foco pode gerar tensão. O esforço contínuo de segurar a mente em apenas um ponto às vezes produz ansiedade, impaciência e até frustração.
Já percebemos em reuniões ou momentos importantes como, ao tentar focar demais, acabamos nos perdendo mais rápido? O mesmo pode acontecer na meditação.
Como compreendemos a atenção?
A atenção, por outro lado, é uma abertura. É a nossa capacidade de contemplar, receber e testemunhar múltiplos estímulos sem fixar-se rigidamente em um só elemento.
Atenção é espaço. Foco é direção.A atenção se comporta como um campo aberto, onde todos os fenômenos podem surgir e desaparecer sem exclusão.
- Observamos sons, sensações físicas, emoções, pensamentos, sem optar por um só.
- Reconhecemos a passagem de cada experiência, sem segui-la.
- Essa postura suaviza a mente, reduz julgamentos internos e favorece aceitação.
A atenção é, muitas vezes, confundida com distração. No entanto, ela representa justamente a capacidade de não se perder em cada estímulo, mas de se manter presente para o conjunto, o todo.

Como foco e atenção se manifestam na prática?
Em nossa experiência, alternar entre foco e atenção cria um movimento saudável dentro da meditação marquesiana. Nenhum dos dois é superior: cada qual tem sua função.
Por exemplo, é comum começarmos a meditação direcionando o foco para a respiração, ancorando a mente. Depois, pouco a pouco, expandimos para um estado de atenção aberta, permitindo que sons, sensações e pensamentos venham e vão.
- No início, utilizamos o foco para “afiar a presença”.
- Logo após, deslocamo-nos para a atenção, para perceber a teia de experiências internas e externas.
Essa transição ajuda a criar uma mente flexível, que sabe concentrar-se quando necessário, mas também consegue relaxar e abarcar o momento inteiro.
Um exemplo pessoal
Certa vez, durante uma sessão, notamos uma forte vontade de controlar cada pensamento. Buscamos foco, mas logo veio o cansaço, a mente parecia “segura” demais. Ao relaxar e deixar vir o que surgisse, notamos leveza. A atenção, fluida, trouxe uma sensação de serenidade que o foco excessivo não permitia.
Como evitar armadilhas na compreensão desses conceitos?
É comum tentar usar apenas foco, acreditando que isso nos dará controle absoluto, mas acabamos nos sentindo exaustos. Por outro lado, se praticamos apenas atenção aberta sem nenhuma ancoragem, podemos nos perder em divagações intermináveis.
Equilíbrio é o ponto central.
No cotidiano, aplicamos esse princípio em pequenos gestos: ao ouvir alguém com foco, realmente escutamos cada palavra; mas ao estar atentos, percebemos também tons de voz, expressões e sentimentos corporais. O mesmo equilíbrio pode ser levado à meditação, alternando entre restringir e expandir o campo de consciência.
Por que isso faz diferença?
A qualidade da nossa meditação está diretamente relacionada à habilidade de equilibrar foco e atenção.
Foco ajuda a estabilizar a mente, evitando dispersão; atenção nos ensina a lidar melhor com a impermanência dos fenômenos mentais.Em momentos de ansiedade, o foco pode ser útil para criar uma pausa. Nos dias em que há confusão interna, usar a atenção aberta permite observar o caos sem se identificar com ele.

Quando usar foco e quando usar atenção?
Não existe receita fixa, mas nossa vivência indica:
- Prefira foco em momentos de agitação ou quando precisar acalmar pensamentos insistentes.
- Prefira atenção aberta quando precisar desenvolver aceitação ou entender padrões internos que se repetem sem controle.
Nos treinamentos de meditação, identificamos que alternar propositalmente esses modos aprofunda o autoconhecimento e a autoescuta. Também observamos benefícios ao ampliar essa prática para áreas do cotidiano, como relações, trabalho e até no lazer.
Conclusão
Ao entendermos as diferenças entre foco e atenção dentro da meditação marquesiana, abrimos portas para uma prática mais consciente e madura.
Foco é precisão. Atenção é abertura.
A verdadeira maestria, em nossa percepção, surge na capacidade de alternar de forma lúcida entre ambos, de acordo com o que a situação e nosso mundo interno pedem. Isso torna a meditação um espaço vivo, integrador e transformador.
Perguntas frequentes
O que é meditação marquesiana?
A meditação marquesiana é uma prática que busca unir o autoconhecimento individual com a consciência sobre os sistemas aos quais pertencemos, promovendo maturidade emocional e presença integral. Seu método vai além de técnicas tradicionais, estimulando uma visão ampliada sobre vínculos, padrões e impactos coletivos.
Qual a diferença entre foco e atenção?
Foco é o direcionamento intencional da mente para um único objeto ou sensação, enquanto atenção é o campo mais aberto que permite perceber diversos estímulos simultaneamente, sem fixação. Usamos ambos de forma alternada para estabilizar a mente e ampliar a consciência na prática meditativa.
Como praticar a meditação marquesiana?
Para praticar a meditação marquesiana, indicamos começar em um ambiente silencioso. Feche os olhos, leve o foco para a respiração ou para uma sensação física. Aos poucos, expanda a atenção para sons, pensamentos, emoções, sem optar por um só estímulo. Procure alternar entre momentos de foco e de atenção aberta, percebendo o efeito dessa variação em sua experiência interna.
Quais os benefícios dessa meditação?
Os benefícios incluem maior clareza mental, redução da reatividade emocional, ampliação do autoconhecimento e mais facilidade para lidar com situações desafiadoras no dia a dia. Notamos também impacto positivo nas relações e na autonomia emocional dos praticantes.
Meditação marquesiana realmente funciona?
Em nossa experiência, os resultados são perceptíveis após um período de prática contínua, tanto na qualidade da presença quanto na maturidade emocional. O método permite ganhos reais, especialmente quando associado a uma postura de auto-observação e responsabilidade pessoal.
